Crea-SP leva cerca de 3 mil profissionais a campo para transformar cidades
O Colégio de Inspetores 2025 e o 12º Congresso Estadual de
Profissionais (CEP) provaram que a área tecnológica é essencial para traçar
estratégias para o futuro das cidades. Os eventos, que começaram ontem (08/08)
e continuaram hoje (09/08) no espaço Mercado Pago Hall, no Mercado Livre Arena
Pacaembu, colocaram os cerca de três mil profissionais participantes em um
exercício de responsabilidade social.
O público foi instigado à missão na noite anterior, quando o vice-governador Felicio Ramuth e o
secretário estadual de Governo e Relações Institucionais, engenheiro Gilberto
Kassab, ressaltaram, na abertura dos encontros, a importância da integração da
gestão pública às áreas técnicas. Isso também foi reforçado pelos presidentes
do Crea-SP e do Confea, engenheiros Lígia Mackey e Vinicius Marchese,
respectivamente, em especial às Engenharias, Agronomia e Geociências.
A visão prática ocorreu mesmo ao longo da programação deste
sábado, com desdobramento em painéis e palestras que trataram dos desafios da
reconstrução de territórios após desastres provocados pelas mudanças
climáticas, bem como da mobilidade, acessibilidade, governança, segurança
hídrica, energia limpa e habitação social, dentre tantos outros temas que
compõem a infraestrutura e o planejamento urbano das cidades.
“Um bom gestor público é aquele que ouve, pensa tecnicamente
e desenvolve soluções para a sociedade. As políticas públicas dependem de
técnica. Então, uma oportunidade como essa, que escuta especialistas para
colher ideias e promover iniciativas de desenvolvimento, é o que precisamos
para ter resultados”, defendeu o engenheiro agrônomo Diógenes Kassaoka,
subsecretário de Abastecimento e Segurança Alimentar, da pasta estadual de
Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
O mesmo foi observado pelo Eng. Agr. Julio Yoji Takaki,
inspetor do Crea-SP em Ribeirão Preto. Ele é servidor público há 25 anos,
atualmente na Prefeitura de Guatapará, município da macrorregião
ribeirão-pretana, onde atua com suporte aos produtores rurais locais,
especialmente médios e pequenos. “É a política pública que nos move. Move o
estado e, consequentemente, o país. Tudo é fruto da política pública, e nesses
eventos conseguimos captar as informações que precisamos para fazer o nosso
trabalho”, afirmou.
Funcionando como fórum de conhecimento e troca de
experiências, o Colégio de Inspetores e o CEP se tornaram ainda mais
estratégicos por somar a visão de profissionais de modalidades distintas e que
estão em atuação em mercados e cenários que variam de acordo com suas regiões.
O Eng. Sérgio Reis, da Associação dos Engenheiros Arquitetos e Agrônomos de
Suzano (AEAAS), por exemplo, experienciou o potencial de integração há alguns
anos e segue em busca permanente desse mesmo propósito em tudo o que faz. “Nós,
da AEAAS, participamos da atualização da Lei de Uso e Ocupação do Solo em 2019.
Nasci, moro e atuo em Suzano e é muito legal trabalhar desta forma, porque
estou mudando a minha cidade.”
Cristina Figueiredo, inspetora pela capital paulista, na
Comissão Auxiliar de Fiscalização (CAF) da Zona Norte, apontou que o senso de
responsabilidade é construído aos poucos e que a inspetoria contribui para
isso. “Na CAF, aprendemos que somos os olhos da fiscalização. Isso mudou a
minha relação com a profissão. Nos vemos mais próximos do Sistema e do
compromisso com a sociedade”, disse a engenheira civil.
Já a Eng. Fatima Vilela, inspetora por Caraguatatuba, espera que os efeitos transcendam gerações. Ela contou que percebeu uma mudança cultural ao longo de seus 40 anos de carreira. “A Engenharia era uma profissão mais masculinizada quando comecei. Tive dificuldade para ingressar no mercado”, disse ao associar a transformação às políticas integrativas. “Ainda temos muito a melhorar, mas já vemos melhorias acontecendo, principalmente ao ter uma presidente mulher na liderança do Crea-SP”, concluiu.