FuturoLab: estudantes apresentam protótipos voltados para ARTs
O FuturoLab, programa colaborativo de experimentação,
formação e cocriação de soluções voltado aos desafios da área tecnológica,
parceria entre o Crea-SP e o Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli),
avançou mais um passo para o fortalecimento do ecossistema de inovação do
Sistema Confea/Crea. Os estudantes universitários que integram a iniciativa
participaram, em 29 de agosto, de mais uma etapa de exposição de seus
protótipos de solução para detecção de irregularidades na emissão de Anotações
de Responsabilidade Técnica (ARTs). O encontro contou com a participação do
engenheiro Selson Gomes, gerente de Inovação e Tecnologia do Conselho.
“O desenvolvimento de modelos de predição de irregularidades
dessas ARTs será muito útil para a fiscalização, tornando-a mais eficiente e
gerando dados e informações precisas”, explicou Gomes. Ele acrescentou que a
iniciativa faz parte da estratégia do Crea-SP de promover a integração com
centros de tecnologia e inovação e relacionar-se com estudantes das áreas
abrangidas. “Os alunos já desenvolveram os modelos iniciais e estamos muito
satisfeitos com os resultados”.
No início do projeto, o Conselho compartilhou com os
estudantes uma base de dados formada por mais de 10 milhões de ARTs
anonimizadas emitidas entre 2015 e 2025. A partir desse conjunto de
informações, e com o suporte de orientadores do Inteli e membros do Crea-SP, os
alunos foram desafiados a criar modelos tecnológicos de machine
learning (aprendizado de máquina) e Inteligência Artificial (IA) com
capacidade de identificar padrões de inconformidades e soluções para prever o
volume de ARTs por município. Os melhores trabalhos têm potencial de
implementação pelo Sistema.
Nesta etapa das atividades, o segundo de cinco sprints
(reuniões de pessoas envolvidas em um projeto para apresentação, monitoramento
e aperfeiçoamento), cinco grupos de alunos apresentaram os resultados a que
chegaram, expondo as dificuldades que encontraram e projetando os próximos
passos que pretendem trilhar para chegar a um modelo de ferramenta que possa
ser adotada nas fiscalizações realizadas pelo Crea-SP. Após as apresentações,
cada equipe ouviu as avaliações, recomendações e orientações do representante
do Conselho.
O estudante Erik Batista da Silva expressou entusiasmo com o
desafio. “Achei muito legal porque no mercado, na maioria das vezes, lidamos
com informações muito fechadas. Com esta parceria, vemos casos reais”,
exemplificou.
Yan Coutinho, também aluno do Inteli, vê duas perspectivas:
“Para nós, estudantes do Inteli, uma atividade como esta é essencial para nos
acostumarmos com desafios reais. Para o Crea-SP, o projeto proporciona a
aproximação com novos talentos e a troca de informações e conhecimentos que
irão contribuir para pensar em soluções novas”.
Coutinho observa que trabalhar com uma quantidade enorme de
dados, como é o caso do FuturoLab, gera demandas a serem superadas antes de
construir o modelo final. Em relação ao protótipo que está ajudando a
desenvolver, o aluno destaca uma solução encontrada para a
geolocalização.
“Decidimos utilizar a latitude e longitude das localidades
em vez do CEP. Assim, o modelo vai conseguir entender com mais precisão o
local”, explicou. “Na prática, os agentes fiscais poderão ser direcionados de
forma mais efetiva”, projetou Coutinho. “Está sendo desafiador, mas acho um
projeto muito legal porque vai trazer muitas melhorias para o processo de
fiscalização”, acrescentou a participante Keylla Cristina Bispo.
Inovação aberta para agregar conhecimentos e competências
“Utilizamos a inovação aberta para dispor de conhecimentos e
competências de outras áreas e trazer mais eficiência e agilidade aos nossos
processos”, comentou o gerente de Inovação e Tecnologia do Conselho. Sobre as
apresentações que viu e prestou suas orientações e avaliações, Gomes expressou
otimismo. “Saio com expectativas altas de gerar um modelo que ajude a
compreender comportamentos recorrentes de irregularidades que possam orientar
as atividades de fiscalização em diversas regiões. Temos um volume de ARTs
muito significativo, que varia entre 130 e 140 mil mensalmente, e precisamos de
ferramentas tecnológicas como essas, baseadas em análise de dados e IA, para
ter mais agilidade na detecção de irregularidades”.
Cesar Almiñana, professor de Orientação de Projeto e
Programação do Inteli, avaliou o progresso dos alunos, observando um grande
salto de qualidade em relação ao primeiro sprint. “Vi mais consistência, com
uma mensagem mais clara, uma tradução muito interessante de como eles abordaram
o problema do ponto de vista técnico, utilizando os modelos, cada um com seu
jeito diferente, com uma ótica muito particular de como resolver o mesmo
problema”. O docente explicou ainda que as próximas fases deverão ser voltadas
ao refinamento dos projetos.