Engenharia em construção: o protagonismo feminino na ciência
“É sobre abrir caminhos e transformar”. A frase marca o Dia
das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado neste 11 de fevereiro, como forma
de representar a consolidação das conquistas de equidade e diversidade. A data,
introduzida globalmente pela Organização das Nações Unidas (ONU), simboliza o
compromisso coletivo com a ampliação da presença feminina na ciência.
Especialmente em um momento no qual a área científica, incluindo-se aí a
Engenharia, deve realimentar essa ocupação da presença feminina em todos os
espaços possíveis e garantir sua permanência.
A presidente do Crea-SP, engenheira Lígia Mackey, primeira
mulher eleita para liderar a autarquia em mais de 90 anos de história, ressalta
os avanços e os desafios que ainda precisam ser enfrentados. “Devemos mostrar
que a jornada das mulheres na área científica e, em especial, nas Engenharias,
precisa ser exaltada e incentivada. Tem sido um esforço coletivo para chegar
até aqui porque são profissões que impactam diretamente na vida social como
vetores de mudança. As Engenharias possuem papel estratégico e fundamental
para a promoção efetiva da equidade de gênero”, afirma.
Parte primordial desse trabalho no Conselho é desenvolvido
pelo Comitê Gestor do Programa Mulher, uma iniciativa para diminuir a distância
entre homens e mulheres nas profissões da área tecnológica e dentro do próprio
Sistema Confea/Crea. Em 2025, mais de 25 mil pessoas foram impactadas pelas
ações do grupo, desde meninas nas escolas às mulheres que atuam no dia a dia
profissional. Para isso, são realizadas palestras e capacitações para
prepará-las e fortalecê-las, caso do Encontro do Programa Mulher, que todos os
anos tem reunido profissionais em um ambiente de troca, acolhimento e
networking. “Na edição passada, fomos além e lançamos uma cartilha completa,
com um panorama das profissões, dados sobre a participação feminina dentro e
fora dos Creas, e os resultados concretos alcançados com o trabalho do
Comitê”, aponta Lígia.
São iniciativas do tipo que incentivam a crescente
participação das mulheres e meninas nas universidades e na produção de
conhecimento científico. Exemplo disso é a estudante de
engenharia aeroespacial no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em
São José dos Campos (SP), Narayane Ribeiro Medeiros. Nascida em uma
cidade próxima de Brasília, Alto Paraíso de Goiás (GO), ela encontrou na
ciência um caminho de sonhos, futuro e transformação. “Minha iniciação
científica foi lendo livros, porque na minha escola não tinha laboratório ou
instalações modernas. Estudei e me preparei para entrar no ITA e sei que faço
parte de uma nova geração que deseja ampliar seus espaços e a presença
feminina”, assegura.
Sua trajetória, marcada por desafios culturais, sociais e
acadêmicos, revela a força de quem insistiu na via dos estudos, uma estrada
muitas vezes solitária e repleta de condições adversas. Antes do ITA, a
primeira conquista: uma bolsa em um curso preparatório para o Instituto, um
estímulo importante para não esmorecer que agora rende frutos. “Hoje me sinto
integrada em um ambiente que valoriza o conhecimento. A Engenharia Aeroespacial
é algo vivo e que exige estudo continuado”, explicou, para complementar: “meu
maior retorno, entretanto, é poder ensinar e estimular crianças em situação de
vulnerabilidade em um projeto social do Instituto”. Citando o exemplo de uma
menina que ela ajudou a entrar na Escola Preparatória de Cadetes do Ar
(EPCAR) – um “ITA do segundo grau”, tal a dificuldade de aprovação.
A história de Narayane – e de outras mulheres –
será contada em uma campanha especial do Crea-SP, que destaca a contribuição
dessas profissionais para todo o País, para marcar o Mês das Mulheres e das
Meninas na Ciência. A veiculação ocorrerá em múltiplas plataformas, reforçando
que ciência e Engenharia são espaços inclusivos. As histórias de protagonismo
feminino estarão disponíveis nos vídeos disponíveis na TV Crea-SP, canal
oficial do YouTube. Acompanhe também pelos perfis do Crea-SP no Instagram e
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